Perdi a conta de quantas pessoas me falaram isso ao longo da vida, normalmente na forma de conselho em relação a algum relacionamento que não ia bem.

Me parecia uma frase sábia, de quem já viveu muito e percebeu que esperar que alguém mude é como dar murro em ponta de faca. Mas ouvir essa frase sempre me trouxe um certo incômodo, uma sensação de tristeza, impotência. Difícil ter que se conformar que as pessoas são como são. Nascemos assim e não há nada que se possa fazer.

Não quero sugerir que é fácil mudar. Mudar é algo que exige esforço e uma boa dose de desconforto na maioria das vezes. E mudar os outros sem que eles estejam a bordo é o esforço mais inútil que você pode empreender.

Mas acreditar que pessoas não mudam e que temos que nos conformar com a maneira que somos, com tudo que nos incomoda e limita, pode ter um efeito muito nocivo em nossas vidas.

O insight não é suficiente

Acredito que a perpetuação dessa noção se deve em grande parte à maneira pela qual tentamos mudar. E nessa tentativa, cometemos alguns erros. Por um lado, muitas vezes achamos que um insight é tudo que precisamos.

ERRO 1

“Se eu enxergar porque eu ajo assim, ou se eu entender meus padrões, então a mudança vem naturalmente.”

Esse é um dos erros mais comuns e que gera mais frustração em relação à mudança: não basta saber o que você quer mudar. Não basta entender porque você age como age.

Por isso vemos tantas pessoas que passam por um processo profundo, por uma terapia, por algum tipo de imersão, tratamento, e mudam radicalmente por um tempo, para logo depois recair aos antigos padrões.

O insight pode dar um impulso inicial, mas não se sustenta. E o pior é que enxergar o que você deseja mudar e não conseguir fazer isso é muito mais doloroso do que estar na ignorância, sem perceber como poderia ser diferente.

Precisamos entender o seguinte: para que uma mudança real possa ocorrer, não basta ter conhecimento, ter um insight, perceber nossos padrões. A mudança não advém somente da nossa percepção.

A parte prática é fundamental. É preciso também cultivar novas atitudes, novos hábitos, construir novas habilidades.

Mudanças extremas também não são a solução

ERRO 2

Perceber a importância da parte prática mas tentar aplicar uma mudança gigantesca do dia para a noite.

Um bom exemplo são as promessas de ano novo mais otimistas, como: começar a malhar 5 vezes por semana às 6hs da manhã, não comer mais nada de carboidratos ou açúcar, meditar 40 minutos por dia, levar marmita todos os dias para o trabalho.

Todas essas coisas podem ser metas válidas e muitas pessoas têm esses hábitos de maneira sustentável, mas tentar incorporar algo totalmente novo de uma maneira repentina, grandiosa, intensiva, quase certamente te levará ao fracasso.

Nós tendemos a menosprezar o poder de mudanças graduais, de pequenos hábitos que vamos incorporando aos poucos, de maneira incremental, e acabamos favorecendo um modelo de tudo ou nada: se jogar no desconforto absoluto pra ver se agüenta tudo de uma vez.

Para cimentar uma mudança devemos buscar hábitos que nos tiram do conforto usual, mas não nos jogam em um lugar insustentável.

Como mudar

Ao aprender e praticar o coaching integral aprendi que uma mudança sustentável não é fácil.

Ela requer de um lado uma grande tomada de consciência: enxergar suas crenças, seus comportamentos, seus critérios e como todos esses elementos contribuem para seu modus operandi atual.

Mas, tão importante quanto esse processo, é aliar esse movimento interno com atitudes concretas, com novos hábitos, novos comportamentos e com o desenvolvimento diário e contínuo de novas habilidades.

A mudança exige encarar a si mesmo de frente e estar disposto a sentir medo, ansiedade, ficar vulnerável. Talvez isso implicará em desagradar algumas pessoas, dizer alguns nãos.

Em alguns momentos sentir-se como uma criança de novo, reaprendendo a fazer as coisas, dando alguns passos erráticos, meio estabanado.

O que quero dizer com tudo isso é que é possível sim, pessoas mudam, e mudam extraordinariamente. Acreditar que não dá pra mudar só nos mantém estáticos, pequenos, confortáveis no desconforto de tudo que nos desagrada, tudo que não é o suficiente, mas é o que acreditamos estar a nosso alcance.

Já presenciei mudanças que não acreditaria se não tivesse feito parte do processo. O brilho no olhar de quem de repente se descobriu em tudo que pode ser e tudo que ainda vai se tornar.

Por isso, se existe a semente de algo novo em você, se você sente que pode muito mais, que não está conseguindo expressar quem realmente é, procure a mudança. Ela é possível e pode lhe trazer caminhos que nunca iria imaginar.